Publicado por: Danilo Regi | maio 18, 2011

Há um ano eu mergulhava na mais incrível experiência humana em Austin

pois é, 365 dias! Esse dia 18 faz um ano que eu aterrissei na dimensão paradisíaca de Austin, sim, e eu não poderia deixar de relembrar a data e ainda fechar um balanço da viagem.

EXTREMAMENTE HUMANA, foi essa experiência, é o que eu demais ressaltaria, tivesse de escolher uma característica. Como eu adoro conhecer – sempre aos poucos – a diversidade, adorei. Parece que o lugar, Austin-universidade-do-texas-dormitório-TUDO fora feito para mim como uma roupa artesanal, me encaixei, me descobri por lá, como algumas pessoas que vivem essas experiências costumam dizer. Foram sete meses e diferente de alguns relatos que já ouvi de pessoas que foram aos EUA, eu não destacaria a infra-estrutura ou coisas materiais (embora sejam bacana sim), mas a incrível convivência com americanos de todos os Estados Unidos e gente do mundo todo.

Vista de Austin durante o festival de rock Austin City Limits

E me desculpe, por favor, a forma tão caótica que esse texto vem, mas é que a emoção retorna, me explico. Primeiro a surpresa. Você ouve falar que os americanos são um tipo frio durante uma vida inteira e desde que chega lá, é cordialmente muito bem recebido, palestrado, cumprimentado, apresentado… você já se choca com preconceito que tinha, não que isso os torne mais quentes, mas há um espaço muito grande para a conversa. Na verdade, é bem mais do que isso – o que vai se notando com o tempo – é uma espécie de civilidade, sim, você é tratado e é incentivado a tratar através de formas mais polidas como “poderia” ou o bom e velho “por favor”, e daí parece que tudo vai ficando mais fácil para estabelecer contato, perguntar etc. Você é sempre recebido com um bom dia quase que sempre sincero pelo atendente e fica de fato mais disposto com isso. Mas essa é só uma das características que gostaria de lembrar.

Experiência muito boa eu vivi em Corpus Christi. Sim, vamos ao começo. Eu me inscrevera em um programa do International Office da Universidade do Texas em Austin voltado para a troca cultural entre alunos do exterior e famílias americanas. O International Office (órgão da Universidade que lida com tudo voltado aos alunos estrangeiros e onde a minha escola de inglês se situava) promovia 3 ou 4 programas diferentes de integração dos estrangeiros aos locais, o Friendship Program era apenas um deles. Através desse programas, alunos estrangeiros seriam meio que “adotados” por uma família americana e seriam recebidos por ela para umas 3 ou 4 refeições, assim eles poderiam conhecer o tradicional modo de vida americano, era esse o objetivo do programa.

Para esse encontro, os alunos preencheram uma ficha cadastral descrevendo alguns dados básicos como preferências e robies. Muito bem, assim, no dia do primeiro encontro eu conheci a minha família, que, para minha leve surpresa, não era tradicionalmente americana – ou talvez fosse visto a nova dinâmica de imigração praquele país – ela era formada por um filho de pai e mãe mexicanos – porém, que só falava inglês  – e uma filha de mãe coreana e pai americano, um casal singular.

Aah, eu tive sorte amigo! Mas eu não sabia ainda o quanto, porém poderia desconfiar. No dia do encontro, onde todas as famílias se encontravam com os seus um ou dois alunos estrangeiros, havia um “companheiro abandonado” por uma família que faltou. Ele estava conversando com a gente e a nossa família (minha e de um taiwanês) decidiu adotá-lo também, ele era coreano.

Pois bem, assim se desenrolou o programa, o que era para ser 3 ou 4 refeições passou para churrascos muito animados e o que eu considero o momento auge da viagem, uma viagem com a família até a cidade no litoral sul to Texas, Corpus Christi, cidade de morada dos pais do marido. Caramba, foi para por abaixo todos os estereótipos, fomos acolhidos como verdadeiros membros da família. Participamos na hora de fazer recheio para o peru e de várias tarefas para a preparação da ceia. Fomos levados para pescar no dia seguinte (Sim – nós dormimos lá por dois dias!) e fomos realmente muito bem recebidos por todos os familiares da família que nos acolheu que também se reuniram de forma muito calorosa. Quer saber o que achei disso? Achei que a passagem foi mais quente do que costumo ver por aqui, mas essas comparações nunca são válidas, apenas um desabafo.

Mas foi muito além disso. Teve também a vivência com alunos de mais de 20 países diferentes e isso todo santo dia. O ESL (English as Second Language – a escola de inglês da Universidade do Texas em Austin) parecia uma torre de babel. Era dominado por coreanos (43), sauditas (44), e ainda contava com muitos cazaquistaneses  e angolanos além de uma miríade de outros países com menor participação. Era comum sair para uma cervejinha na quinta (dia da beer a 1 dólar) com um monte de coreanos por exemplo e a sala de aula era sempre multinacional.

E não parou por aí. Ainda tive a vivencia do dormitório em que morei no período. Um prédio de aluguel de quartos para estudantes com 22 andares e muitos, mas muitos estudantes da UT de todos os lugares dos Estados Unidos e do mundo. Foi através de toda essa convivência que “me descobri” como uma pessoa carismática, por exemplo. Pois fiz muitos amigos, muitos mesmo e cheguei até a organizar uma festa de despedidas por lá que tiveram bom sucesso.

Tudo parecia conspirar a meu favor por em Austin. Quer mais? Eu ainda ganhei uma bolsa de estudos da escola para a estação do outono – eu viera para a estação do verão e não tinha mais recursos. Eu descobri que após um semestre de estudos, eu poderia concorrer a bolsa (scolarship) escrevendo uma redação justificando por que eu a merecia. Foi o que fiz. E não é que levei!?

Quer mais? O meu roomate, o coreano muito bacana que dividiu o quarto junto comigo durante o verão, também ganhou uma bolsa! Nós levamos 2 das 3 bolsas, e acredite, não sabíamos que éramos concorrentes, fomos saber só no anúncio. Foi incrível.

Também foi maravilhoso conseguir um emprego como tradutor de português no blog trilingue do Projeto The Knight Center para o Jornalismo nas Américas – um projeto da faculdade de jornalismo que visa o apoio e incentivo do desenvolvimento do bom jornalismo nas Américas com foco na América Latina. Poxa, chegar num outro país, ainda aprendendo a sua língua, conviver com jovens de diferentes países, ser super bem recebido por uma família americana, ganhar uma bolsa de estudos e ainda arranjar um emprego na área de jornalismo (!), eu não queria mais nada na vida mesmo.

Olha, não é que eu não tivesse imaginado que poderia ter uma boa viagem/experiência, é que eu simplesmente não conseguiria imaginar que ela poderia ser tão fascinante assim. Até hoje, eu troco emails com amigos feitos lá… mágico. Deixe-me fazer jus através do convite: visite Austin, veja se a Universidade do Texas em Austin tem uma área do seu interesse ou mesmo vá só para o curso de inglês da Universidade – que te dará os benefícios de um aluno normal – eu garanto que você não vai se arrepender e, no meu caso, foi muito melhor do que pude imaginar.


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